Destaque

Ele fez para mim

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Tu era estrela e reluzia,
Sempre me deixando duvidas quando sorria.
Fazia o mesmo também quando deixava as chaves caírem do bolso, deixando o teu cheiro pelas esquinas que eu atravesso.
Devíamos nos esquecer das frases e da boa literatura que fizemos a quem não merecia se quer um poema,  mas de fato, não escrevemos para eles e sim para nós mesmos.
Talvez até nos apaixonar pelas palavras que saem da nossa boca quando pensamos naquele alguém.
Teu amor é nicotina.
Abre espaço para vícios rasgarem o meu peito.
– é por isso que não se deve conhecer  os escritores – talvez sejam mais perdidos do que suas próprias palavras.
Nunca sei se de fato tu és inteiramente, ou se eu só tenho um terço daquilo que tu foi, e essa confusão já me remete um certo ciúme,  esculpindo ainda mais a insegurança.
Nas noites chuvosas em que teu corpo me aquecia. Nas noites escuras em que eu te perdia. Nas noites solitárias em que eu cuidava de afogar meu fígado em vinho barato.
Sinto falta da pessoa que tu era, sem nem a conhecer, mesmo sabendo que no fundo ainda é a mesma pessoa, só não sabe disso.
És inteiramente minha ou ainda há um pedaço teu que ainda se apega às tuas frases do passado?
Devasta-me como os gafanhotos devastam as colheitas dos pobres agricultores – semelhantes a mim,  tirando o fato de que eu cultivo outras coisas – tornando-os desolados como eu.
E no fim da rua eu ouvia (grito!) Quase que tu, lembrando-se o quão bom o nosso amor é.
Desarme-se,  há estragos demais em mim.
Ps: Todos os direitos reservados à esse amorzinho de pessoa, chamado Caio, que escreveu este poema para mim ❤
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